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Durante os encontros presenciais e pela lista de discussão via web, uma grade de horários foi formatada com todas as sugestões de presença. Performances como a "batukada" ativista, a massa crítica (Bicicletada), 4 dias de mostra de vídeo e pocket shows, um "telecentro", uma rádio pirata (Rádio Muda de Campinas e Indymedia Brasil) transmitindo protestos e shows ao vivo da Casa das Rosas aconteceu ao lado de formatos mais ou menos parecidos com uma exibição com A Revolução, Formigueiro, Anomia e Nomads, chegando até perto de uma "anti-exibição" com um extenso (e nacional) combo de artistas, Os Rejeitados, que trabalhou com a ironia de se apresentar em um "quadrado branco" ao tornar a sua sala de exibição uma grande sala de estar, servindo cachaça e cafezinho de um lado e com um lixo aberto do outro, onde todos largavam seus copos e cigarros, numa espécie de statement crítico contra as atuais instituições de arte brasileiras.
Outras salas exibiam várias revistas de rua nacionais e internacionais, cartoons políticos (Latuff), um banheiro cheio de displays de pessoas comuns entrevistadas pelo Museu da Pessoa; no outro banheiro um vídeo do coletivo de artistas/ativistas carioca Atrocidades Maravilhosas e finalmente no porão da Casa uma sala de vídeo e uma sala com o produtor de fanzines underground A Cria, ajudando a criar 24h trabalhos gráficos ou graffitis. Do lado de fora, pocket shows, duas raves, um acampamento, uma peça teatral neo-situacionista se misturavam à vários outros eventos imprevistos.
O tema principal do debate de abertura do Mídia Tática Brasil e que pontuou todo o festival foi "Comunidades em Rede e Inclusão Digital (uma expressão brasileira virada clichê, referente às estratégias para se combater uma tal "exclusão digital" por parte das parcelas mais pobres da população - mas na verdade não diferente das já institucionalizadas divisões de classe e de cor da população brasileira) com a presença do acadêmico inglês Richard Barbrook, John Perry Barlow da Electronic Frontier Foundation e o Ministro da Cultura, Gilberto Gil, que gentilmente decidiu contribuir com o festival após um convite de um dos participantes da nossa lista de discussão, reiterando assim o interesse e importância do tema no âmbito nacional.
O festival em si aconteceu em formato happening durante quatro dias (13 à 16 de março 2003), numa espécie de TAZ, uma mistura de feira hype com exibições caóticas atraindo com seu formato inédito um número considerável de jovens, artistas, ativistas, trabalhadores sociais e curiosos. Todo ele foi gratuito. Na sua totalidade, Mídia Tática Brasil atraiu por volta de seis mil pessoas e, algo nunca antes experimentado na Casa das Rosas (quiça em outros espaços culturais), filas formaram-se para entrar no espaço da exibição.
Ao mesmo tempo, dividido entre as salas de conferência da Fundação Japão e SESC, painéis específicos com palestras e debates se dividiam em temas como: "arte como resistência", "mídia independente", "introdução à mídia tática", "videoativismo", "netativismo", "hacktivismo", "copyleft" e "som pós-mídia", entre outros. Já os workshops forma dados fora do espaço do festival, de uma maneira descentralizada, na unidade de Vila Mariana do SESC (web rádio, dado pela Rádio Muda) e Telecentro Cidade Tiradentes (colaboração online com Projeto Meta:fora).